Artes Plásticas

SUELI ROJAS: Uma desenhista que pinta

“O corpo humano funciona como um espelho; passa todas as emoções”. Dessa forma, Sueli Rojas explica sua predileção pelo figurativismo, estilo exemplificado por escolas como o Renascimento, o Barroco e o Realismo. De acordo com a artista, a figura humana imprime movimento à sua arte, o que lhe assegura a possibilidade de instigar a comoção do público.

Até por isso, foi imediata a identificação de Sueli com o pintor francês Henri Toulouse-Lautrec, considerado um dos principais ícones da pintura pós-impressionista. “Percebi que queria fazer o que ele fez: emocionar as pessoas por meio da arte”, diz. Ele debruçou-se no submundo parisiense e explorou cenários de interiores, iluminados por luz artificial indo de encontro à perspectiva dos impressionistas. Famoso por retratar a vida boêmia de Paris no final do século XIX, Toulouse-Lautrec enveredou-se para o design gráfico tornando-se o grande ícone dos pôsteres impressos em grande escala. Aliás, o domínio de Toulouse-Lautrec no âmbito das artes gráficas da litografia e dos cartazes publicitários é reconhecido unanimemente.

Não por acaso, Sueli traçou seu caminho artístico sob a inspiração do mestre francês. Ela foi ilustradora em uma agência de publicidade ainda com dezesseis anos. Na época, teve a oportunidade de trabalhar com o artista plástico e ilustrador José Braz. Considerado seu mentor, Braz apresentou à Sueli a aquarela e o guache. A partir daí, ela iniciou uma carreira de sucesso na área da ilustração. Atuou em diversas agências de propaganda de São Paulo, como a JWThompson Brazil, DPZ e McCann Erickson, onde passou a explorar sua criatividade e a aprimorar seu conhecimento. Mas foi quando ingressou no mercado editorial que descobriu seu estilo.   “Ilustração editorial tem personalidade”, avalia. Passou pelas redações da Editora Abril, Editora Ática e Editora Nobel. Atualmente, é diretora de arte na Editora QD, responsável pela publicação das revistas Química e Derivados, Plástico Moderno, Petróleo & Energia e Anuário Brasileiro do Plástico (ABP), além do Guia Geral de Produtos Químicos (GGPQ). Sueli também responde pela arte da revista RMC.

Em 1995 foi convidada para integrar a equipe de docentes da Escola Panamericana de Arte (EPA). Durante nove anos ministrou aulas de design gráfico.

Concomitantemente à atuação como designer gráfica, ela se dedicava à sua arte. Na verdade, nunca deixou de criar. “Para exercer a minha paixão, eu me alimento dos sentimentos”, explica Sueli. Um dos momentos mais criativos e produtivos de sua carreira se deu em 2006, quando manteve no centro da capital de São Paulo um ateliê. O local funcionou por dois anos, período em que também aperfeiçoou seu ofício, estudando filosofia da arte com o artista plástico Rubens Espírito Santo.

A descoberta de um dom – Foi em Bauru, São Paulo, cidade onde nasceu, que demonstrou os primeiros sinais de que não se tratava de uma criança comum; tinha um viés artístico em sua personalidade. Com massa de modelar e lápis de colorir improvisava e fazia sua arte em qualquer lugar. Não por acaso, na escola se destacou dos colegas, a ponto de avançar um ano letivo. Cursou o primeiro ano primário com apenas cinco anos de idade.

Antes mesmo de completar seis anos, sua família mudou-se para Campo Grande, Mato Grosso do Sul, o que só a motivou ainda mais a dar vazão ao seu dom artístico. O contato com a natureza e a liberdade proporcionada pelo lugar a estimularam a voar mais alto. “Eu fazia tinta com pétalas das flores, pegava carvão e desenhava no chão ou em qualquer lugar”, comenta Sueli. Aos dez anos, novamente arrumou as malas, migrando para a capital de São Paulo, cidade onde despontou seu interesse pelo mangá.

Originado na cultura oriental, este estilo ampliou sua percepção acerca da arte. Essas histórias em quadrinho japonesas apresentam como característica o desenho feito em preto e branco e em papel jornal, mas o que fascinou Sueli foi o efeito proporcionado pela técnica. “Fiquei encantada. O mangá abriu os meus horizontes, pois ao conhecê-lo meu desenho deixou de ser chapado, passando a adotar o brilho”, explica. A partir daí, seu interesse pela arte começou a ganhar contornos mais definidos.

Esse era só o começo de uma carreira permeada pelo êxito. Ao longo de sua trajetória, foi premiada diversas vezes. O primeiro prêmio pelo qual se consagrou como a melhor candidata entre os alunos das escolas municipais daquele ano (1973) se deu por conta de um desenho do então presidente da República Emílio Garrastazu Médice. Anos mais tarde, aos 24 anos, participou do concurso Jovens Pintores Brasileiros, promovido pela Florence Museum, de Florença, Itália. Ganhou o Prêmio de Aquisição pela obra “Tudo azul, no hemisfério sul”.

O quadro ficou exposto na Galleria degli Uffizi, museu inaugurado em 1560 e conhecido por seu acervo de pinturas renascentistas, como as obras de Michelangelo Buonarroti, Sandro Botticelli, Leonardo da Vinci e Rafael Sanzio.

Em 2013, a artista plástica realizou na Galeria Loly Demercian, localizada em São Paulo, a exposição “Pedaços, Restos de Minhas Memórias”. Na ocasião, reuniu  vinte obras. Atualmente, Sueli mantém trabalhos expostos no espaço, onde há uma pequena amostra de como essa artista consegue, de maneira bastante peculiar e fascinante, emocionar as pessoas. “Não sigo uma escola ou carrego um rótulo. Eu sou uma desenhista que pinta”, define.

Saiba mais na edição de 1ºSemestre/2015 da Revista RMC.

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