Literatura

O baile

Quando tinha 15 anos participei do meu primeiro baile. Minha família não tinha recursos para que eu pudesse ter um baile de debutantes. O Centro Social da cidade fazia um baile para as garotas no ano em que elas completavam 15 anos.
Nós tínhamos acabado de nos mudar quando eu soube disso e foi a coisa mais incrível que poderia me acontecer. Minha mãe foi conversar com a Coordenadora do Projeto, que explicou como seria o baile. E o mais importante, que não se preocupasse com custos, tudo seria providenciado com a ajuda de todos, inclusive com a ajuda das garotas. Confesso que essa parte não gostei muito. Era chato fazer trabalhos manuais. Nunca me dei bem com isso.
Voltando ao baile, eu não tinha um par, então seria alguém que o Centro Social providenciaria para me acompanhar. Passei os dias que antecederam o evento, imaginando como ele seria. Nem em meus maiores sonhos consegui chegar perto do que ele era de verdade: um cadete da marinha, vestido a caráter. Olhos negros penetrantes, covinhas de brinde com o sorriso largo. Alto, educado e charmoso. Que bom que fui ao baile porque conheci meu príncipe e depois casei-me com ele.

Nilsa M. Souza

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Mais em: Nilsa M. Souza

 

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