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CHILE: Como um grão de areia na infinidade do Deserto do Atacama

Já sentiu como se você fosse apenas um insignificante grão de areia compondo uma mínima fração do universo? Foi na imensidão do Deserto do Atacama, ao norte do Chile, que essa sensação me tomou da forma mais avassaladora que já experimentei.

Caminhando por uma pequena parte dos mais de 1.000 quilômetros de extensão do deserto, eu pude refletir sobre as razões pelas quais esse é um dos principais pontos turísticos do mundo. Cheguei à conclusão de que, pelo menos para mim, é porque ao pisar em San Pedro do Atacama – vilarejo localizado dentro do deserto no qual fiquei hospedado – tive a sensação de testemunhar milagres da natureza e de ser transportado a um período histórico longínquo.

A começar pelo fato de que, apesar de ser considerado o local mais árido do mundo, sendo até comparado às terras de Marte – há alguns pontos específicos onde, inclusive, não há registros de chuva há mais de 400 anos – é possível encontrar verdadeiros oásis de águas cristalinas no meio do deserto. Como eu disse: um milagre da natureza.

Piscinas naturais, lagoas, gêiseres e lagos de sal ocupam os espaços onde um dia esteve o mar que alimentou e ajudou na sobrevivência de antigos povoados que ousaram fazer desse pequeno infinito sua casa. Hoje, esse infinito se apresenta para nós no encontro entre os tons rochosos, o branco e o azul infindável do céu e dos lagos, que, por vezes, se espelham e parecem se confundir como um só. Como nessa fotografia.

Mas não só de rochas e lagos é feito o Deserto do Atacama. Ele possui mais peculiaridades do que você possa imaginar. Como seus vulcões. O Chile está entre os países com mais vulcões ativos no mundo e alguns deles se encontram adormecidos há milhares de anos no Atacama. Aqui você pode contemplar um deles, encarando seus visitantes com toda sua imponência.

E, apesar de ser considerado um local inóspito, por suas temperaturas extremas, é possível encontrar no Atacama animais exóticos como flamingos e lhamas. Ou alguém como meu companheiro de quatro patas, registrado nesse retrato repousando tranquilamente sob o sol, ostentando uma paz que se estende a quem olha.

Sob o chão que ele descansa, mineiros e suas famílias construíram cidades que deixaram de existir há tempos, mas que tiveram suas essências conservadas em aspectos arquitetônicos que se recusaram a se esvair ao longo dos séculos e, hoje, podem ser vistos nas construções da região. Como nas igrejas levantadas com tijolos, cactos e telhas, ou nos túmulos talhados por pessoas que buscavam conceder a seus entes queridos uma passagem digna. Detalhes que nos fazem provar, nem que seja por alguns instantes, do luto, da fé, da cultura e dos costumes de quem outrora esteve bem ali, onde nossos pés estão pisando.

Àqueles que associam o deserto à solidão ou desesperança, eu digo que só o fazem porque nunca tiveram a oportunidade de vivenciar o que é o Atacama. Caso contrário, com certeza associariam o deserto à grandeza e paz de espírito.

Contemple essas fotografias Fine Art e aprecie os detalhes da imensidão do Deserto do Atacama nesse ensaio. Os registros podem ser adquiridos em contato direto comigo pelo site brunomatteo.com ou pelas redes sociais (@brunomatteo / Instagram).

Imagens: Divulgação – Fotos Bruno Matteo

Mais em: Bruno Matteo

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