O novo ensaio do fotógrafo santista Bruno Matteo, conhecido por séries como “Olhos que Sorriem” e “A brasilidade da Bahia, a baianidade do Brasil”, vem ao público com o propósito de resgatar o orgulho pela herança histórica africana. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 54% da população brasileira é negra. Mas, quantas dessas pessoas tem a percepção do quanto sua ancestralidade é poderosa?
O projeto “Mansa Musa: majestoso, histórico e preto”, surge para trazer luz, através do olhar de Matteo, com poesia visual, à história do rei Mansa Musa (1280-1337) – que se relaciona diretamente com a história da humanidade – e serve para relembrar ao povo preto que sua descendência é riquíssima, não apenas no que diz respeito ao material. Mas, principalmente, em âmbito sócio-econômico e cultural, bem como por sua bravura, determinação e garra.
“Muitos reis da antiguidade acreditavam que, após o período de peste, viria o belo e esse retrato não muda para o período atual. Em meio ao cenário pandêmico que vivemos, esse projeto surge para reafirmar isso e para enfatizar que, diferente do que a narrativa colonizadora nos conta, nossa história não está apenas atrelada à escravidão. O povo preto é herdeiro do berço mãe e tem uma linhagem de realeza”, conta o fotógrafo.
Quem era Mansa Musa?
Mansa Musa significa “Rei dos reis”, o que se mostra bastante apropriado tendo em vista os feitos do imperador em vida. Mansa assumiu Mali, que era um reino de riqueza moderada, e o transformou em um verdadeiro império.
Mansa Musa é reconhecido pelas revistas Forbes, Money e Times como o primeiro lugar absoluto no ranking das maiores fortunas da história. Economistas e historiadores acreditam que sua fortuna passava facilmente de 3 trilhões de dólares. Para efeito de comparação: Elon Musk, considerado o homem mais rico do mundo atualmente, possui uma fortuna avaliada em cerca de US$ 200 bilhões.
A representatividade de Mansa Musa também se estende à sua devoção à religião. Musa foi um dos primeiros governantes africanos a se converter ao islamismo. Sua peregrinação até Meca, cidade do Profeta Maomé, é recordada como um dos emblemáticos lembretes de sua riqueza.
Até hoje, o legado do imperador persiste: existem mausoléus, museus, bibliotecas e mesquitas que são testemunho da chamada “idade de ouro” do Mali, época em que Mansa investiu na expansão e na riqueza cultural de seu reino. Sua figura é tão importante que, em 1375, Mansa foi ilustrado e reconhecido pela sua fortuna de ouro incalculável no Atlas Catalão, que é considerado um dos documentos cartográficos mais importantes da Idade Média.
Mesmo com toda sua influência e riqueza, depois da colonização e do tráfego de escravos no atlântico, a história de Mansa Musa foi marginalizada e desvalorizada. O ensaio de Matteo surge para resgatar e relembrar sua grandeza para aqueles que – apesar de serem descendentes de Mansa – jamais ouviram falar de seus feitos.
O jovem representante de Mansa Musa no ensaio, como boa parte da população brasileira, ancestral do grande imperador, além de ser seu conterrâneo e irmão de fé. Assim como Mansa, ele nasceu em Mali, é muçulmano e carrega dentro de si o orgulho de sua origem – que transparece em cada fotografia da série.
Exposição “Mansa Musa: majestoso, histórico e preto”
Quem tiver interesse de conhecer mais sobre a emblemática história do “Rei dos reis” terá essa oportunidade a partir do dia 01 de dezembro, na galeria Art Lab (Oscar Freire, 916 – São Paulo). A mostra “Mansa Musa: majestoso, histórico e preto” ficará em exibição até o dia 12 de dezembro, celebrando a história desse notável imperador e todos os seus ancestrais que vivem até hoje.
Imagens: Divulgação – Fotos Bruno Matteo
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