Economia

Apostando no Povo e na Igualdade de Gênero para o sucesso no Desenvolvimento Econômico local

Por Guilherme Prado e Thiago Carvalho

A verdadeira riqueza de uma nação está em seu povo e suas riquezas, nas habilidades, saúde, conhecimento e na resiliência das pessoas.

O capital humano dos cidadãos é pivô para a transformação da economia local, mas devido aos impactos econômicos nas regiões em subdesenvolvimento, atualmente a realidade de uma criança nascida na África ou na América Latina não é muito promissora. Segundo segundo estudos do Banco Mundial ela terá uma produtividade de até 40% da sua capacidade durante a vida dela devido a falta de educação adequada e acesso a saúde de qualidade.

A criação de projetos eficazes para investir no desenvolvimento social, profissional e humano das pessoas se tornou ainda mais urgente: precisamos ser ousados e nos engajar para criar projetos que fomentam nosso capital humano.

Só assim seremos capazes de garantir um aumento de 2% de PIB nos próximos 50 anos e aumentar os retornos econômicos para as gerações vindouras. É importante frisar que o Brasil vem passando, principalmente nos últimos 10 anos, por um processo de revolução industrial. A economia brasileira viveu um avanço considerável dos anos 1950 aos 1980, e depois disso, paulatinamente, foi perdendo a acuidade. É preciso pensar em maneiras sustentáveis e eficazes de crescimento econômico, em que exista equilíbrio entre mercado internacional e interesses nacionais, com políticas que prezam pelo desenvolvimento do país como um todo, e de seus cidadãos socioeconomicamente. A desindustrialização brasileira significa um processo de estagnação, que deve ser revertido o mais breve possível. Um país como o Brasil, que sempre foi visto com um imenso potencial, muitas vezes definido como “o país do futuro”, não pode se apoiar exclusivamente em commodities e na agropecuária. Outro ponto que merece ser melhorado é o campo das pesquisas e desenvolvimento. Deve ser interesse prioritário engajar e incentivar empresas, universidades e agências estatais a colaborarem nesse projeto. Se pensarmos em números como 3% das receitas destinados ao setor de indústrias, seria um passo enorme rumo à inovação e à competitividade que o setor tanto precisa para progredir.

PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES NA ECONOMIA

Segundo um estudo do Banco Mundial, empoderar mulheres e meninas é chave para o desenvolvimento econômico nas regiões subdesenvolvidas. Só assim seremos capazes criar mudanças demográfica significativas para reduzir a pobreza e melhorar o desenvolvimento humano fragilizado.

Na comunidade acadêmica, já existem estudos que apontam para a direção da igualdade de gênero como sendo uma maneira eficaz de quebrar as barreiras a fim de promover um desenvolvimento econômico reparador. Com o tempo, o investimento em políticas sociais de fortalecimento da igualdade entre os gêneros impacta positivamente no PIB per capita de um país. Outrossim, essas políticas também impulsionam as mulheres a ingressarem no campo de educação STEM (Science, technology, engineering and math – ciência, tecnologia, engenharia e matemática) que são áreas fundamentais de desenvolvimento e inovação na sociedade. É claro que essa inclusão também deve ser feita com atenção à remuneração. Todo esse percurso resulta na maior participação das mulheres no mercado de trabalho, aumenta a empregabilidade e produtividade feminina, reduzindo a segregação ocupacional. Essas são ideias que estão sendo colocadas em prática em países da União Europeia, mas nada impede que sejam ajustadas e implementadas na realidade brasileira.

Hoje as mulheres já são maioria no ensino superior brasileiro, tendo 34% a mais de chances de conclusão de seus cursos em comparação a homens, porém ainda estão em número menor quando o assunto é mercado de trabalho.

A sociedade brasileira pode fazer uso de sua versatilidade visando ganhos socioeconômicos. Contudo,, essas mudanças precisam partir de líderes tanto da iniciativa privada como da esfera pública. Nada melhor do que pensar no empoderamento tendo como base a educação, em todos os níveis.

CASOS DE SUCESSO

Um exemplo claro e vivo de como a inclusão das mulheres e primordial para o desenvolvimento econômico está sendo executado na África, pelo Banco Mundial. O projeto tem como base o empoderamento e empregabilidade das mulheres, a otimização do acessos de serviços de saúde pública e reprodução e a educação efetiva e de qualidade para as meninas.

Outro exemplo de uma solução eficaz para fomentar a igualdade de gênero surgiu no Oriente Médio: trata-se de uma lei que entrou em vigor nos Emirados Árabes Unidos, que preza pela igualdade salarial entre homens e mulheres em empresas privadas.

Dado o contexto histórico e cultural da região, essa é uma decisão inédita no Oriente Médio. Os Emirados Árabes Unidos recebem trabalhadores de várias partes do mundo, e por isso precisam alinhar seu pensamento ao que se trata como consensual atualmente, principalmente porque muitos desses trabalhadores vêm de países ocidentais. A lei já tem status histórico, pois muda o panorama e abre caminhos novos para aquela cultura. A mentalidade dos empregadores ainda é um obstáculo, e justamente por isso é necessário que essa transição venha através de lei. O país do golfo têm voltado sua atenção para o equilíbrio de gêneros, e tem ambições de melhorar sua classificação no índice feito pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas acerca desse tema.

REALIDADE BRASILEIRA

Essa reflexão é necessária, pois só mostra que o mundo progride em uma direção e que o Brasil deveria também fazer parte desse movimento. A mentalidade dos empregadores, em geral, aqui também no nosso país pode ser considerada um obstáculo, mas gradativamente essa situação tem apresentado melhoras. Pensar em políticas públicas ou iniciativas populares que resultem em projetos de lei é de grande importância nesse trajeto. O Brasil, além de entender o momento global atual, precisa aproveitar o momento político que a igualdade de gênero está em pauta desde os protestos de 2013, e assim se mobilizar para alcançar grandes conquistas sociais. Os ganhos desse esforço são imensuráveis. Aliás, é o caminho para outras conquistas de outros grupos que não tiveram a devida atenção do poder público em épocas passadas. Por tendência, é natural pensar que no Brasil, a igualdade salarial regulamentada se dará em primeiramente cargos públicos, para depois encarar isso como uma realidade de empresas privadas, o que não significa que já não exista na iniciativa privada esse zelo.

Além disso, para desenvolver capital humano é necessário soluções multissetoriais. Tal estratégia vai além de investimentos apenas educação e saúde. A estratégia é sobre otimizar o acesso para transporte público, energia barata e boa governança além de intervenções em outros setores como agricultura, fornecimento de água potável e serviços sociais para ajudar os mais vulneráveis a superar crises, e ter acesso a empregos a fim de investirem no futuro das famílias. Aproximar as decisões políticas da existência cotidiana das pessoas é fundamental. As demandas do povo são dinâmicas, não esperam a política ou o direito para imporem sua importância. Desta maneira, é de suma importância um olhar atento e crítico ao que surge em forma de reivindicações.

Para isso temos que agir juntos e pensando a política de maneira integrada com a nossa maior riqueza: NOSSO Povo!

Artigo escrito por Guilherme Prado MPP Candidate at Hertie School – Berlin l Project Manager l Finance

em co-autoria com – Thiago Carvalho – Cientista Político, e ex- assessor parlamentar e especialista em igualdade social.

Imagem: Divulgação – Foto abertura Christina @ wocintechchat.com no Unsplash

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