Saúde

Você sabe o que é mito e o que é verdade com relação à cirurgia na coluna?

Nem sempre a dor na coluna é tratada com cirurgia. E, segundo o neurocirurgião Marcelo Sabbá, talvez esse seja o maior mito quando o assunto é o tratamento das tão dolorosas queixas que envolvem a dor nas costas. A cirurgia é indicada em alguns casos, sim, porém, há uma série de ações a serem colocadas em prática antes de se optar por um procedimento cirúrgico. Para esclarecer dúvidas sobre o tema, o médico, com atuação no tratamento da dor e nas patologias da coluna vertebral, além de outras especialidades, elencou alguns mitos e verdades que irão nortear aqueles que fazem parte do enorme time das pessoas que sentem dor na coluna e que estão em busca de ajuda.

Na grande maioria das vezes, dor na coluna só é tratada com cirurgia.

Resposta: MITO! Talvez o maior mito de todos relacionados a lombalgia (dor na região lombar). A dor é um sintoma, não uma doença. Ela indica que algo não está bem, ou precisa de ajuste. O primeiro passo é identificar o que causa a dor – normalmente o exame clínico, a anamnese (história clínica do paciente) e os exames complementares (ressonância, tomografia, radiografia) são suficientes para identificar o problema. Mais de 95% dos casos são tratados com medicações, reabilitação (fisioterapia, atividade física) e mudança de hábitos. Cirurgia para tratamento de dor é a exceção e não a regra.

Sempre que é necessária uma cirurgia na coluna, o procedimento será bem delicado e invasivo.

Resposta: MITO! Cada caso deve ser individualizado, mas houve um avanço muito grande na cirurgia de coluna. Os procedimentos grandes, com parafusos, grandes cortes e muita dor pós-operatória foram substituídos por procedimentos minimamente invasivos em que, muitas vezes, o paciente recebe alta no mesmo dia.

A tecnologia vem possibilitando procedimentos cirúrgicos na coluna com recuperação bem mais rápida.

Resposta: VERDADE! Esse avanço na cirurgia da coluna, principalmente o entendimento do papel do tratamento percutâneo (os chamados “bloqueios”) e da cirurgia endoscópica, vem possibilitando um tratamento minimamente invasivo e altamente efetivo. Claro que é importante frisarmos que cada caso deve ser analisado individualmente. Não existe “receita de bolo”.

Toda hérnia de disco precisa de cirurgia.

Resposta: MITO! Outro grande mito em relação às doenças da coluna. É muito importante diferenciarmos alterações de “sobrecarga”, “desgaste”, “envelhecimento” da coluna de “doenças da coluna”. Hérnia de disco só deve ser encarada como uma doença caso ela esteja comprimindo (apertando) estruturas do sistema nervoso (como raízes e medula – minoria dos casos), do contrário é apenas um sinal de sobrecarga da coluna, em que devemos ter uma reeducação de hábitos e não uma cirurgia. E mesmo em casos em há a compressão de uma raiz, na maioria das vezes, conseguimos tratar de forma conservadora (não cirúrgica).

Em toda cirurgia de coluna corre-se risco de perder movimentos no pós-cirúrgico.

Resposta: VERDADE! Todo e qualquer procedimento tem riscos e na coluna estamos sempre manipulando a medula ou raízes (“nervos”) que podem ser lesados. Existem várias estratégias importantes para minimizar os riscos e tornar o procedimento bastante seguro, como a monitorização neurofisiológica intra-operatória, que avalia a função dos nervos e da medula durante o procedimento em tempo real. Sabendo disso, é muito importante realizar acompanhamento com um profissional especializado nesse tipo de procedimento.

Uma pessoa até pode optar pela cirurgia, mas nunca ficará sem dor na coluna, mesmo depois do procedimento.

Resposta: MITO! A cirurgia, quando bem indicada, tem grande chance de resolver o problema. Lembrando que a cirurgia é parte do tratamento; é fundamental a reabilitação e a mudança de hábitos.

Toda recuperação após uma cirurgia de coluna é demorada e dolorosa.

Resposta: MITO! Com o avanço da tecnologia (óticas, instrumentais) e desenvolvimento de novas técnicas (cirurgia endoscópica) diminuiu-se muito a lesão tecidual, o tempo cirúrgico, a perda sanguínea – ou seja o tamanho da cirurgia. A reabilitação é iniciada de maneira precoce e o período de afastamento do trabalho e das atividades diárias é minimizado.

Marcelo Sabbá é neurocirurgião com atuação em neuro-oncologia, Microcirurgia Vascular, tratamento da dor, patologias da coluna vertebral, além de procedimentos minimamente invasivos no cérebro e na coluna. Realizou especialização em neuro-oncologia na Cleveland Clinic, além de pós-graduação no Hospital Sírio-Libanês. Atua como neurocirurgião assistente no Hospital Boldrini e Instituto Radium de Oncologia. É membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) e da Society for NeuroOncology Latin America (SNOLA).

Imagens: Divulgação – Foto abertura Tsunami Green no Unsplash

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