Saúde

Pedra na vesícula: 5 sinais de alerta que não devem ser ignorados

A condição pode passar anos sem causar sintomas, mas crises de dor e sinais de complicações exigem avaliação médica.

Dor intensa na parte superior direita do abdômen, náuseas e vômitos podem estar relacionados aos cálculos na vesícula. Embora muitas pessoas convivam com as pedras sem apresentar sintomas, alguns sinais podem indicar que o problema precisa de avaliação médica e, em determinadas situações, de tratamento cirúrgico.

No Brasil, mais de 1,5 milhão de internações por colelitíase e colecistite foram registradas no Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2020 e 2024, segundo levantamento baseado em dados do DATASUS.

Ter pedra na vesícula, por si só, não significa que o paciente vá precisar de cirurgia. Muitos cálculos são descobertos por acaso, em exames feitos por outros motivos, e não causam nenhum sintoma. A indicação de tratamento depende do quadro clínico de cada pessoa e da presença de sintomas recorrentes ou de complicações, como inflamação da vesícula, obstrução das vias biliares e pancreatite.

O que são as pedras na vesícula?

A vesícula biliar é um pequeno órgão localizado logo abaixo do fígado. Sua função é armazenar e concentrar a bile, um líquido produzido pelo fígado que ajuda na digestão das gorduras. Os cálculos biliares, popularmente conhecidos como pedras na vesícula, se formam quando substâncias presentes na bile se solidificam. Eles podem variar de tamanho e, na maioria dos casos, ficam guardados dentro da vesícula sem causar nenhum problema.

A situação muda quando um cálculo bloqueia a saída da bile ou se desloca para as vias biliares, o que pode provocar dor e desencadear complicações, explica o cirurgião geral e especialista em cirurgia minimamente invasiva e robótica Prof. Dr. Leonardo Emílio da Silva.

Quem tem mais risco de desenvolver pedras na vesícula?

A formação dos cálculos pode estar ligada a diferentes fatores. Entre os principais estão o excesso de peso e a obesidade, a perda muito rápida de peso, dietas muito restritivas, diabetes, alterações no metabolismo do colesterol, histórico familiar, idade e fatores hormonais.

As mulheres também apresentam maior risco de desenvolver cálculos biliares, especialmente em determinadas fases da vida, por causa da influência hormonal. “Não existe uma única causa para a formação das pedras. Geralmente, há uma combinação de fatores metabólicos, hormonais e genéticos. Por isso, é importante avaliar cada paciente individualmente e considerar também seus hábitos e seu histórico de saúde”, destaca o especialista.

5 sinais de alerta que merecem atenção

  1. Dor persistente ou recorrente na parte superior da barriga

Ao contrário do que muita gente pensa, o sinal de alerta não é apenas uma dor forte e súbita. A chamada cólica biliar costuma causar dor na parte superior direita ou no centro do abdômen, que pode irradiar para as costas ou para o ombro direito, mas o que realmente merece atenção é qualquer dor que se repete ao longo do tempo, principalmente quando aparece depois das refeições. Sensação de plenitude, empachamento ou aquele “peso” no estômago após comer também podem ser sinais de que a vesícula está envolvida, mesmo sem uma dor intensa.

  1. Dor que persiste ou volta a acontecer

Crises repetidas ou uma dor que não melhora merecem investigação. Nem toda dor abdominal está relacionada à vesícula, mas episódios recorrentes precisam ser avaliados para identificar a causa.

  1. Náuseas e vômitos

Náuseas e vômitos podem acompanhar as crises provocadas pelos cálculos, principalmente quando vêm junto com dor abdominal.

  1. Febre ou calafrios

Quando a dor abdominal vem acompanhada de febre ou calafrios, pode haver inflamação da vesícula, conhecida como colecistite, ou outra complicação que exige avaliação médica.

  1. Pele ou olhos amarelados

Quando uma pedra bloqueia a passagem da bile, pode surgir icterícia, deixando a pele e a parte branca dos olhos amareladas. A urina também pode ficar mais escura, e as fezes, mais claras. “A dor causada por um problema na vesícula pode ser confundida com uma indisposição ou uma má digestão. Mas, quando ela é persistente, recorrente ou vem acompanhada de febre, vômitos, sensação de empachamento após as refeições ou pele e olhos amarelados, é fundamental procurar atendimento médico para investigar a causa e descartar possíveis complicações”, alerta o Dr. Leonardo Emílio da Silva.

Toda pessoa com pedra na vesícula precisa operar?

Não. Descobrir um cálculo durante um ultrassom, por exemplo, não significa automaticamente que a vesícula precisará ser retirada. De modo geral, quando os cálculos não causam sintomas ou complicações, o acompanhamento médico costuma ser suficiente.

A cirurgia é indicada quando o paciente tem sintomas recorrentes ou desenvolve problemas como inflamação da vesícula, obstrução das vias biliares ou pancreatite causada pelos cálculos. A decisão sobre operar ou não deve levar em conta o quadro clínico, os exames e as características de cada paciente.

Como é feita a cirurgia para retirar a vesícula?

A cirurgia é chamada de colecistectomia. Hoje, a técnica mais utilizada é a videolaparoscopia, na qual o cirurgião faz pequenas incisões no abdômen para introduzir uma câmera e os instrumentos necessários para retirar a vesícula. O procedimento é realizado sob anestesia geral.

Trata-se de uma cirurgia extremamente segura. A colecistectomia é uma das cirurgias abdominais mais realizadas no mundo, o que significa que suas etapas são amplamente padronizadas, repetidas e aprimoradas ao longo de décadas, e é justamente essa repetição que a torna tão confiável. Complicações são raras e, na grande maioria dos casos, o procedimento transcorre sem intercorrências.

Em muitos casos, o paciente recebe alta no mesmo dia ou após um curto período de internação, dependendo da avaliação médica, do procedimento e das condições clínicas. Em algumas situações, especialmente quando há inflamação importante ou outras dificuldades, pode ser necessária uma cirurgia aberta ou a conversão da videolaparoscopia durante o procedimento, o que também está previsto e é conduzido com segurança pela equipe médica.

Como é a recuperação?

A recuperação após a cirurgia por videolaparoscopia costuma ser rápida. Nos primeiros dias, é comum sentir dor ou sensibilidade nas regiões das incisões, além de algum desconforto abdominal. A retomada das atividades acontece aos poucos e deve seguir as orientações da equipe médica. O tempo para voltar ao trabalho, aos exercícios físicos e às demais atividades varia conforme o tipo de procedimento, a condição clínica e a evolução de cada paciente.

Quando procurar atendimento?

Dor abdominal persistente ou recorrente, principalmente quando vem acompanhada de febre, calafrios, vômitos, sensação de empachamento após as refeições ou pele e olhos amarelados,  deve ser avaliada rapidamente.

Esses sintomas podem estar relacionados a uma obstrução das vias biliares, a uma inflamação da vesícula ou a outras complicações. Por isso, crises recorrentes de dor abdominal não devem ser tratadas apenas como má digestão. “A avaliação médica permite identificar se a vesícula realmente é a causa dos sintomas e definir o tratamento mais adequado para cada paciente, evitando que possíveis complicações evoluam”, finaliza o Dr. Leonardo Emílio da Silva.

Imagem: Divulgação

Mais em: Dr. Leonardo Emílio da Silva e Rojas Comunicação

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