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Grafite repagina viaduto da Avenida Aquidabã em CAMPINAS

As pilastras do viaduto sob a Avenida Aquidabã, em Campinas, já têm nova vida. Quem agora passa pelo cruzamento com a Avenida Francisco Glicério se depara com letras e desenhos grafitados, que desde ontem começaram a transformar o cinza das paredes em obras de arte. Domingo é o último dia do PilastrART, evento que reúne 25 artistas urbanos brasileiros e outros 60 grafiteiros, convidados para deixar suas marcas na cidade.

Na manhã de sábado, a produtora de cinema Fernanda Viana estava curiosa. A moradora das imediações da Aquidabã fez questão de passar pelo evento para observar os artistas. “Sempre achei que esse espaço poderia ser melhor aproveitado. Estou entusiasmada e toda essa criação artística vai tornar essa parte do bairro mais interessante”, disse Fernanda, enquanto observava os grafiteiros montando andaimes para dominar uma pilastra de 5 metros de altura.

A intervenção no espaço urbano foi viabilizada com a ajuda de patrocinadores, que disponibilizaram 400 latas de spray, além das latas de tinta látex usadas para cobrir grafites antigos e pichações nas paredes sob o viaduto. O PilastrART foi concretizado por meio da parceria entre a Prefeitura de Campinas e o coletivo New Family Crew.
“Cada artista tem a liberdade para criar o que quiser em um espaço determinado. O estilo é livre”, disse Daniel Araújo de Almeida, o Dimi, um dos líderes do grupo, se referindo às obras de diferentes vertentes: realistas ou abstratas, passando pelo cartoon e o 3D.

Dimi largou o emprego de vendedor de balcão há seis anos para se dedicar ao grafite, inspirado pelo sucesso dos irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo, paulistanos de renome internacional e conhecidos como Os Gêmeos. “Na época, quando comecei há quase 20 anos, o grafite era marginalizado. Hoje, temos status de artistas e nosso trabalho está nas ruas, fazendo parte do cotidiano”, comentou Dimi, enquanto olhava para um muro de 150m² prestes a receber a “sopa de letras”, conjunto artístico com os nomes dos grafiteiros participantes do projeto.

Quem também estudava a parede ainda morta era a auxiliar administrativa Ana Caroline Rodrigues, a Carol. A grafiteira da Zona Leste de São Paulo chegou cedo a Campinas para participar do PilastrART. “É um jeito de deixar a minha letra, mostrar que passei por aqui”, destacou Carol, que há três anos trocou a pichação pelo grafite. “São Paulo é uma cidade muito violenta e opressora. Não tem nada mais libertador que deixar sua marca, que é também uma forma de liberdade de expressão”, completou Carol, lembrando da polêmica envolvendo o prefeito de São Paulo no início do ano.

Em uma de suas primeiras ações na Prefeitura, João Doria (PSDB) mandou apagar os grafites que dominavam a Avenida 23 de Maio, na região central de São Paulo. Depois, assumindo que radicalizou na ordem de mandar cobrir as paredes de cinza, Doria instituiu o projeto Museu de Arte de Rua (Mar), criado para estimular o grafite nos muros paulistanos.

Mesmo assim, Doria sancionou a lei que impede a pintura artística em logradouros públicos ou privados sem autorização, sob pena de multa e outras punições para os infratores.

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