Segurança

Violência contra mulher não apaga a força feminina

O dia 25 de novembro marca o Dia Internacional de Combate à violência contra a mulher.

A luta feminina por direitos existe há muito tempo e, ao longo dos anos, vem acumulando vitórias importantes. Guerreiras e donas de uma força sem igual, as mulheres estão sempre envolvidas nos mais variados temas e assuntos, dando atenção às pautas importantes como o aumento de oportunidades de trabalho igualitárias, empreendedorismo feminino e, claro, o combate à violência contra a mulher.

Por isso a equipe da Francisca Joias reuniu alguns fatos históricos e informações importantes que irão ajudar a entender esse movimento social.

Entenda o motivo pelo qual o dia 25 de novembro foi eleito como o Dia Internacional de Combate à violência contra a mulher.

A data foi escolhida, pois marcou o Primeiro Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, realizado no ano de 1981, na cidade de Bogotá, na Colômbia, e faz uma homenagem às irmãs Mirabal –  Patria, Minerva e Maria Teresa – também conhecidas como “Las Mariposas”.

Patria, Minerva e Maria Teresa tornaram-se ícones na luta em prol do combate à violência contra a mulher, pois foram assassinadas pelo ditador Rafael Leônidas Trujillo, no dia 25 de novembro de 1960, na República Dominicana, quando retornavam de Puerto Plata, local onde seus maridos eram mantidos presos. No caminho de volta, as três irmãs foram detidas e assassinadas por agentes do governo ditatorial, que simulou o acidente.

Antes, duas das irmãs (Maria Teresa e Minerva) já haviam sido detidas diversas vezes em um intervalo de 11 anos (de 1949 a 1960), enquanto se manifestavam contra o regime de Trujillo. “Mariposa” era o codinome usado por Minerva em suas lutas para solucionar problemas sociais do país e a execução das irmãs foi destaque de repúdio de entidades nacionais e internacionais, que aceleraram o processo de queda de Trujillo.

Com o intuito de estimular que a sociedade civil se importasse mais e criasse medidas de combate à violência contra a mulher, em 1999, a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) eternizou a data e proclamou oficialmente o “Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra a Mulher”.

Legislações atuais e como elas ajudam as mulheres

O Brasil conta com uma série de leis que priorizam a defesa da mulher. A principal delas é a Lei Maria da Penha, que foi sancionada em 7 de agosto de 2006 (Lei n. º 11.340), que tem o intuito de proteger a mulher da violência doméstica e familiar. Desde sua criação, a Lei Maria da Penha já passou por uma série de mudanças em prol da proteção da mulher.

A legislação leva esse nome em homenagem a biofarmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes, que perdeu os movimentos das pernas após ser vítima de violência doméstica em 29 de maio de 1983. Maria da Penha é até hoje um símbolo de força e determinação na luta pelos direitos e por medidas de defesa a favor da diminuição de atos de violência contra as mulheres.

A violência contra a mulher não é apenas física

Quando a palavra “violência” é citada, logo vêm à mente os atos físicos de agressão. Porém, as mulheres passam por muitos outros tipos de violência que são “invisíveis”, mas causam sérios danos.

O preconceito contra a mulher, chamado também de sexismo, é algo que assombra e acompanha as mulheres desde a infância, na época da escola, e segue até a fase adulta, em locais de trabalho e qualificação profissional.

De acordo com dados de estudo realizado pelo Pnud, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (ONU), cerca de 90% da população mundial tem algum tipo de preconceito contra mulheres.

Mesmo em 2020, após anos de avanços históricos, 40% dos participantes do estudo desenvolvido pelo Pnud afirma que os homens são melhores diretores organizacionais do que as mulheres.

As agressões verbais e falta de credibilidade no trabalho e na competência das mulheres reduzem drasticamente os índices de autoestima e com que as mulheres não se sintam valorizadas em seus postos de trabalho e até mesmo no desenvolvimento de suas atividades domésticas. Em algumas empresas, por exemplo, as mulheres ainda enfrentam outro tipo de preconceito: o salarial.

Além disso, comprovadamente, esses fatores chegam a refletir diretamente na saúde da mulher, contribuindo para o aumento de caso de doenças crônicas e até mesmo mentais, como a depressão.

Cenário brasileiro

De acordo com o Pnud, a situação no Brasil é ainda mais grave: 89,5% dos brasileiros que participaram do estudo, disseram ter ao menos um tipo de preconceito contra mulheres. Enquanto isso, outros 52,39%, relataram ter pelo menos dois tipos de preconceito, considerando as áreas apresentadas durante a aplicação da pesquisa.

Na outra ponta – e uma notícia positiva vinda dos brasileiros – a população se mostrou menos preconceituosa no que diz respeito à educação. No decorrer da pesquisa realizada pelo Pnud, os participantes deveriam responder se concordavam com a afirmação “a universidade é mais importante para um homem do que para uma mulher”. A grata surpresa foi perceber que o percentual de pessoas com preconceito, ou seja, aqueles que concordam com a afirmação, foi de apenas 9,32%.

Como resolver esse problema

A solução para a violência de gênero – assim como para todo e qualquer tipo de violência – está no ato da promoção de mudanças significativas que sejam capazes de romper barreiras e padrões culturais que coloquem as mulheres posição inferiores. Essas medidas devem ser fortes e refletirem as atitudes femininas de poder e luta para que os preconceitos e os atos de violência diminuam cada vez mais, até chegarem a zero.

Para isso, é preciso educar a população desde a escola primária, criando consciência em meninos e meninas de que o mundo precisa de uma sociedade composta por cidadãos e cidadãs que tenham um pensamento igualitário e inclusivo, sem diferenciar e julgar aptidões e capacidades pelo sexo e sempre com muito respeito e cuidado com o próximo.

Imagem: Divulgação – Foto  Maxim Hopman no Unsplash

Mais em: Francisca Joias e Hedgehog Digital

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