Saúde

Não consegue ter sexo com penetração? Pode ser Vaginismo!

Muitas mulheres se deparam com a dor na penetração desde a primeira tentativa, quando tentam perder a virgindade, quando precisam realizar exames ginecológicos ou mesmo realizar o toque vaginal. Algumas, após várias tentativas frustradas de conseguir ter sexo com penetração, acabam entendendo que realmente existe um problema.

Mas, e quando essa dificuldade perdura por meses ou anos? A fisioterapeuta pélvica Cristina Nobile, especializada no tratamento da dor durante a relação sexual, afirma que existem várias mulheres que nunca conseguiram uma penetração vaginal de nenhum tipo. “A dor na penetração faz com que essas mulheres não se submetam até a exames ginecológicos. É algo que as prejudica para além da vida sexual, pois compromete o cuidado com a saúde como um todo.” afirma.

Estima-se que no Brasil, cerca de 0,4 a 6,66% das mulheres sofram com o Vaginismo, sem contar a subnotificação, já que uma grande parte sequer fala sobre a queixa com seu médico ou outro profissional da saúde, uma vez que sentem-se constrangidas.

Definido como uma desordem que se caracteriza pela contração involuntária dos músculos do assoalho pélvico e que envolvem o canal vaginal, o Vaginismo é descrito como uma das disfunções psicossexuais mais comuns, constituído por :

– alteração psicológica induzida por atitude fóbica e ansiedade à penetração;

–  alteração física, observada pelo aumento da tensão dos músculos do assoalho pélvico e da musculatura acessória (glúteos, abdome, adutores), reação espasmódica que impede ou dificulta a penetração vaginal, que pode ocorrer na penetração peniana, do dedo, de absorventes internos, dos dilatadores vaginais ou na realização de exames ginecológicos;

– perturbação acentuada causada por sofrimento ou dificuldade interpessoal.

A fisioterapeuta pélvica revela que, na verdade, a mulher que nunca foi penetrada sofre pela antecipação da dor: “A dor que ela imagina que irá sentir se torna real, porque, ao sentir medo e pela contração que realiza, na tentativa de qualquer tipo de penetração, realmente a dor estará presente.”

Cristina complementa que o tratamento do vaginismo é multidisciplinar, isto é, ginecologista, psicólogo e fisioterapia especializada nas disfunções sexuais, cada uma das especialidades desempenhando o seu papel.

“Na abordagem fisioterapêutica é tratado os sintomas físicos, que se refletem nas contrações pélvicas, na dessensibilização da região vulvovaginal, pois algumas mulheres não conseguem nem mesmo ser tocadas na vulva.” explica. Para Nobile, também é preciso trabalhar a coordenação e a propriocepção, quase sempre comprometidas.

“O intuito é o de melhorar a qualidade de vida dessas mulheres e promover autonomia e funcionalidade para que ela possa vivenciar sua sexualidade como quiser, e principalmente, livre da dor!” finaliza a especialista.

Imagem: Divulgação – Foto de Malvestida no Unsplash

Mais em: Cristina Nobile e Rojas Comunicação

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