Prêmio

CAMPINAS: Pérola Negra premia mulheres de destaque na promoção da igualdade racial

A fim de reconhecer e valorizar mulheres negras que se destaquem em ações em prol do desenvolvimento e promoção da Igualdade Racial, foi realizado na última quarta-feira, dia 1º, o Concurso Rainha Pérola Negra. A premiação foi entregue durante o Fórum Campinas pela Paz na praça Arautos da Paz em Campinas. Sete mulheres do município foram homenageadas em categorias como educação pela promoção da igualdade racial, profissional destaque, trajetória de luta e garantia de direitos, desenvolvimento comunitário, Revelação e Afirmação de Identidade.

Instituído pela Lei nº 8.175/1994, o Concurso foi regulamentado no último mês de abril pelo Decreto nº 20.268/2019. Neste ano, o concurso foi retomado pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos, com participação do Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra de Campinas no processo de escolha das premiadas, a partir de indicações da população.

Entre as escolhidas está a advogada Lucimara Ferreira, que foi premiada na categoria trajetória de luta e garantia de direitos. Lucimara foi secretária da comissão de igualdade racial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Campinas, conselheira do CDPCN e é membro da pasta de trabalho da Unegro. Com uma história pessoal de luta, Lucimara superou um passado de dificuldades sociais e violência e, em um percurso solitário, conseguiu cursar uma faculdade e posteriormente fazer uma graduação, mirando sua atuação na área de direitos humanos.

O prêmio foi uma surpresa para ela: “Em Campinas há tantas mulheres pretas que desenvolvem trabalhos maravilhosos voltados à comunidade. São mulheres que admiro e que são referência para mim. Fiquei muito honrada e emocionada em ter sido escolhida”. Segundo ela, o prêmio é uma forma de reconhecer a importância de que mais mulheres negras sejam referências para a juventude: “Quando a mulher negra tem voz, ela faz a diferença para toda uma sociedade. Representatividade é importante para as novas gerações. Nossas trajetórias de vida influenciam as outras pessoas”, afirmou.

A importância da representatividade também foi citada pela curadora e artista visual, Andreia Aparecida de Jesus Mendes, também recebeu o prêmio Rainha Pérola Negra na categoria Cultura. Responsável por atuar em projetos que visam difundir e valorizar a produção artística de negros e negras, Andreia é arte-educadora, militante do movimento negro e tem promovido diversas exposições com foco em artistas negros. “Para além do prêmio em si, há uma importância muito grande por levar visibilidade a nosso trabalho. Meu objetivo desde o momento em que começo a pensar a arte negra é poder levá-la ao maior número de pessoas e ter representatividade. Nós, negros, ainda somos apenas 2% dos artistas nos museus. Saber que meu trabalho está sendo reverberado e visto e receber reconhecimento nos reenergiza.”

De acordo com a secretária Municipal de Assistência Social, Pessoa com Deficiência e Direitos Humanos, Eliane Jocelaine Pereira, a valorização e o reconhecimento de mulheres negras com intensas e relevantes atividades na cidade foi o mote do concurso. “O resultado demonstrou que temos um universo enorme de mulheres negras de destaque em Campinas colaborando com o desenvolvimento econômico, social, educacional e cultural de nossos munícipes. São ações afirmativas como essas que tornam possível o rompimento do racismo estrutural”.

História

O Concurso Rainha Pérola Negra também tem o objetivo de rememorar e valorizar a luta das mulheres negras do passado, na figura de Laudelina de Campos Melo, nascida em 1904 e falecida em 1991. Laudelina fundou os Sindicatos de Trabalhadoras Domésticas de Santos e de Campinas e teve uma história de luta contra o preconceito racial, a subjugação dos trabalhadores e das mulheres.

Depois de mudar-se para Campinas, em 1955, Laudelina participou ativamente do movimento negro da cidade e de diversas ações culturais como a fundação de escola de música e de balé. Laudelina é responsável pela origem do Concurso Rainha Pérola Negra que foi criado dentro do baile de debutantes (Baile Pérola Negra) no Teatro Municipal de Campinas.

Conheça as premiadas:

– Andreia Aparecida de Jesus Mendes, curadora e artista visual recebeu o prêmio de Destaque em Cultura;

– Márcia Lúcia Anacleto de Souza, professora de educação infantil e de jovens e adultos (categoria: Educação pela Promoção da Igualdade Racial);

– Flávia Roberta Santos de Souza, bibliotecária (profissional de destaque);

– Lucimara Ferreira, advogada (trajetória de luta e garantia de direitos);

– Patrícia Oliveira Lapa, voluntária da ONG Imene (Desenvolvimento Comunitário);

– Zuzilene da Silva Evangelista, professora pesquisadora e ativista (Categoria Revelação);

– Cristiane Dias Alves, empresária (Destaque em Afirmação de Identidade).

Imagem: Divulgação – Foto/ Luiz Granzotto – Secretária Eliane Jocelaine: “ações como essas tornam possível rompimento do racismo”.

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